Senti o manto da vida,
meu companheiro na solidão
e em fronteiras perdida
a sabedoria me deu a mão.
Vida... a vida me abraça,
faz-me reconhecer no tempo
um aliado que me enlaça
e não me deixa viver em tormento.

Quarta-feira, 16 de Março de 2011

Tudo tem um tempo

Imagens do último ano, ao caminhar para o meu meio século de vida!



Tudo tem um tempo! Ou não?
Mas hà muito tempo que tinha decidido, permanecer neste espaço até fazer cinquenta anos. Cinquenta anos, foram apenas a data que me marcou como viajante da vida. Muitas vezes me perdi, muitas vezes questionei, mas teimei sempre em acreditar que vale a pena sermos, apenas aquilo que somos, em qualquer circunstância ou em qualquer lugar. Já provei a mim mesma que não consigo ser diferente e resta-me a felicidade de sentir que me dei a conhecer exatamente como sou a todos aqueles que amo.
No dia 11 de Fevereiro completei meio século. Para mim não significa apenas uma data, mas um aglomerado de anos, dias, horas, segundos em que me formei, vivi, cresci, fui criança, jovem... e me dei. Dei-me à vida e nunca deixei de acreditar, que apesar de tudo... viver é muito bom!
Despeço-me deste espaço, onde fica uma parte da minha alma e onde voltarei para melhorar ou retificar possiveis erros (apenas ortográficos) e continuar algumas páginas iniciadas aqui.
Deixo um agradecimento muito especial para a Fê Blue Bird, a Sol Barreto e o Daniel Silva, cujos passos deixaram sons constantes neste canto, mesmo quando eu ficava ausente. Obrigado.
Sentar-me-ei (sem me acomodar),sempre que necessitar Na varanda dos sentimentos

Fernanda Rocha Mesquita

Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

O meu meio século...


Feliz de mim, que posso descer a ponte e achegar-me ao lago e aconchegar-me nos seus fantasmas. Não temo a noite, onde a lua é a única luz para abrir o caminho a histórias aconchegantes. Deixei de ouvir os meus passos, porque me sentei no meu trono, um banco de terra, coberto por erva macia, que certamente à luz do dia será verde. Agora tem apenas um tom escuro, mas suficientemente visível para eu saber onde me devo sentar. Uma sumida cor alaranjada, indica que o sol brilha em qualquer lugar, ainda que longe e simultâneamente uma nuvem ensombra a lua por uns minutos, obrigando algum lobo a uivar, como que reclamando. Um pássaro, que deve ter acordado, ecoou um canto ensonado, mas possivelmente voltou a dormir, pois o silêncio ganhou voz de novo.

Eu, talvez numa tentativa de acordar um pouco o lago, dei honra ao velho e infantil hábito de atirar pedrinhas à água, tentando medir a força do meu braço pela distância estabelecida entre o meu gesto e o som da água ao acolher a pedrinha com círculos de boas vindas.

Os meus olhos são atraídos pelo voo de uma águia que gira sobre a minha cabeça e grasna como que chamando alguém, avisando que me tinha encontrado.

- Mas quem procuraria por mim?- perguntei a mim mesma. Quem daria pela minha falta?

Os meus pensamentos foram interrompidos pelo casal de índios a quem eu habitualmente já tinha avistado e já tinha notado a sua cada vez mais curta distância. A lua, pareceu lançar maior luz sobre os seus vultos, talvez na tentativa, de que eu não me assustasse.

-Não tinhas partido para festejar o teu meio século de vida?- perguntou ele

-Sim! Mas na última estação não encontrei ninguém à minha espera. Todos os que ouviram, muitas vezes eu dizer, que só festejaria o meu aniversário, quando atingisse o meio século de existência, como marco entre o que já tinha vivido e o desejo de viver até completar um século completo, parecem ter esquecido e por isso voltei. Mas como conheces a razão que me levou a partir?- perguntei aos dois, agora já sentados ao meu lado. Também eles tinham ali um trono, naquele solo disponível a todos o que procurassem a voz da vida.

-Porque nenhum outro ser humano se tinha deslocado até aqui e ficado por tanto tempo. Nos teus passeios pela florestas os teus pensamentos e as tuas lágrimas vão deixando escrito, sem que precises de falar, tudo o que te inquieta e sentes. Mas temos um presente para ti- disse ela, sorrindo docemente e abrindo a palma da mão para me oferecer uma folha verde, onde estava escrito: “ Parabéns!“Comovida perguntei de quem era.
-De alguém que soube que farias hoje anos e mesmo sem te conhecer, quis estar presente. Escondi uma lágrima, a qual, o sorriso daquela de que eu já conhecia o nome “ Estrela da Tarde“, ordenara que se diluísse na beira do lago. De súbito, ele transformava uma flauta em sons musicais, acompanhados pela voz, quase que encantada da sua companheira. E num canto de um parabéns a você que eu nunca tinha escutado, festejaram os meus cinquenta anos e desejaram-me outros cinquenta de vida. Eu, num riso e num choro desafinado, agradeci à vida por ter um refúgio nas horas silenciosas e prometi dar mais horas e mais dois dias, ao dia onze de Fevereiro, para que aqueles a quem eu sempre tanto amei, tivessem a possibilidade de me dizerem: Parabéns pelo teu meio século!


No dia seguinte, recebi os parabéns de quatro pessoas... mas faltou o teu!


Fernanda Rocha Mesquita


Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Silêncios...






Silêncio é o momento que me grita,
é escolha minha para calar a minha palavra,
é o peito que me acolhe quando me silencio aflita,
é o poema escondido que a minha alma lavra.

Se em cada silêncio eu desse ao Mundo
as palavras que em mim se atropelam e me inquietam,
eu faria do silêncio um barulho profundo
e daria voz a silêncios que me resistem, que me cercam.

O meu silêncio é vontade que se escapa... por vezes dor,
quando nem em palavras consigo dizer,
são lágrimas e sorrisos a que não consigo dar cor,
são gestos, carinhos que não consigo fazer.

E são em tantos silêncios o tanto que eu sou!
Ecos de tantas palavras que vivem de coração aberto,
são palavras que esperam, por momentos a que me dou
a dar-lhes voz... liberdade de partir no momento certo!

Fernanda Rocha Mesquita



Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Poesia




A verdadeira poesia
está no que se sente
e como se sente...
mesmo nas coisas que vivem
e não falam como os Homens.
O nosso relógio pode ser aquele
que a nossa alma marca...
Quantas vezes caminhamos na insónia
e na casa ao lado simplesmente dormem?
A poesia pode estar naquele raio de sol
que brilha para nós à meia noite.


Fernanda Rocha Mesquita


Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Insónia


Como sombra de um sono que não vem,
como estrela de um firmamento já conhecido,
tento sentir o sono que a noite tem,
mas se a noite vem, o sono parece ter fugido.

Tropeço nos tentáculos da escuridão
mas ninguém ouve... como podem ouvir?
Esta é a hora longa que acordou a solidão
e quando o ruidoso mundo se calou para dormir.

Desfolho a minha voz como flor de um jardim,
seguro-a com o anel mágico dos pensamentos,
para que como gente ela fale para mim
e para que eu me sinta gente... nestes momentos!

Fernanda Rocha Mesquita


Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Amar é tudo


Amar é sentir que música é a tua voz,
é beijar as estrelas quando adormeço no teu peito!
Amar é sentir o mundo cantar quando estamos sós,
é esconder o meu sorriso envergonhado, sem jeito!...

Amar é esquecer o dia que passou,
é libertar os sentimentos presos na tua ausência,
é sentir que a saudade de mim te marcou
e que sou de todos os perfumes... a tua essência!

O amor não cumpre tarefas convencionais,
oferece gestos sentidos de amor e carinho.
Amar é um não cansar, é um sempre mais...
é a certeza de não sentir sózinho!

Fernanda Rocha Mesquita

O que mudou?




Batem nostálgicos os meus sentimentos
na saudade que sinto do antes,
em que em tantos perdidos momentos,
nos perdíamos em abraços constantes.

O que mudou? Antes não fazias assim,
antes não dormias um sono repousante
e não querias dormir sem mim...
o teu abraço me adormecia confiante.

A tua voz não se mostrava saturada,
o teu corpo não se afastava do meu
e agora numa simples frase cansada
afastas-te e esqueces quem sou eu.



Fernanda Rocha Mesquita

Foto pessoal (Edmonton, Canada)